OLHOS ORA FECHADOS…FECHADOS

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Ninguém nunca se perguntou o que havia lá…

Ela jazia  no ponto de partida a muito tempo onde tudo começou, sentada na poeira  mãos postadas  sob o joelho , queixo virado , olhos  ora fechados ora abertos fitando o nada.

Mente descorada, olhar desprovido de vida, estampado em seu rosto a fragilidade que ela traz de uma vida incompreendida, de uma vida regada à nada.

Ja cansada de procurar  todos os dias por respostas, hoje ela já não procura mais.

Estática…observa sem emoção as pessoas coexistirem em um mundo paralelo ao seu, onde as razões diferem da sua então nada importa, não existem porquês e nem pra quê.

Em algum momento em que ela não sabe qual e nem poderia sabê-lo avistaram a  porta aberta e nesse dia entrou, nesse dia alguém entrou.

A viu sentada de joelhos já a muito tempo naquela disposição esvaecida , ele a viu só que antes ninguém a havia notado, a cabeça dela se virou pra ele coisa que igualmente não acontecera em momento algum  e nesse dia o que era  opaco já não era mais; ele lhe  trouxe recordações , momentos divididos e vividos, a abraçou, a resgatou de lá.

Se tornou seu mundo, seu tudo, seus motivos pra continuar, seus motivos até mesmo pra esperar ou seguir.

Ele entendeu o que havia lá , compreendeu a solidão, compreendeu a dor, a completou e ensinou , ela seguiu de olhos fechados , sem medo, entregue por inteira achando que aquela Era ficou no passado.

Foi assim que um coração foi partido, um copo estilhaçado, fragmentos por toda a volta.

Voltou  pelo mesmo caminho de onde veio, ele estendeu a mão e lhe indicou implacável a volta e o momento da partida, disse vai… nunca lhe pedi pra partir, nunca busquei  por este mundo, o que conhecia hoje não conheço mais, não percebo mais a dor que traz nos olhos.

Se por medo ou por sobrevivência ela desconhece o seu salvador, o que existe de errado ela ignora…

Regressou de volta a seu mundo, pro seu ponto de partida sentindo-o abraça-la  tão presente como fora mesmo não sendo mais, mesmo que ja não  é….ele ainda esta ali de alguma forma que ela não vê mas eternamente ligados e não.

E ela jaz  no ponto de partida a muito tempo onde tudo começou, sentada na poeira  mãos postadas  sob o joelho , queixo virado , olhos  ora fechados…fechados.

Seus olhos não ousam abrir nunca mais.

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